Com o crescimento da mobilidade elétrica no Brasil, uma frase tem se tornado comum nos corredores dos condomínios:
“Ah, mas instalar um carregador é igual a instalar um chuveiro, não é?”
Como empresa especializada em engenharia elétrica, precisamos te dizer: não, não é. E tratar essas duas tecnologias da mesma forma pode colocar em risco a infraestrutura do seu prédio.
Neste artigo, vamos desmistificar essa comparação e mostrar o caminho seguro para a eletrificação do seu condomínio.
1) Proteção
Diferentemente de um chuveiro, que é uma carga puramente resistiva e simples, o sistema de recarga de um veículo elétrico interage diretamente com uma bateria de corrente contínua (DC).
Embora o carregador (Wallbox) receba corrente alternada (AC) da rede elétrica, o processo de conversão e carregamento é realizado em corrente contínua, o que exige proteções específicas e adequadamente dimensionadas.
São necessários dispositivos de proteção compatíveis com essa aplicação, como disjuntores, DRs e DPS corretamente especificados para o tipo de carga e possíveis correntes de fuga em DC. A ABNT NBR 17019 exige dispositivos capazes de identificar essas falhas e seccionar o circuito automaticamente, prevenindo riscos de choques elétricos e incêndios.
2) Uso
Além da questão das proteções, trata-se de uma carga crítica e severa.
Enquanto um chuveiro elétrico opera, em média, por 10 a 15 minutos, um carregador veicular pode funcionar em potência máxima por 8 a 12 horas consecutivas.
Essa condição impõe esforço contínuo à instalação elétrica, exigindo correto dimensionamento de condutores, dispositivos de proteção e avaliação da capacidade do sistema existente.
Não é uma carga que admite improvisos, requer projeto, análise técnica e execução conforme norma.
3) O Problema das Instalações Existentes
A grande maioria dos condomínios brasileiros não foi projetada para a carga extra dos veículos elétricos. Quando o prédio foi construído, ninguém previa que cada vaga de garagem poderia se tornar um “posto de combustível” elétrico. Tentar instalar carregadores sem critério em uma infraestrutura antiga é receita para o desastre. Os cabos podem superaquecer, os barramentos podem não suportar e o disjuntor geral do prédio pode desarmar nos horários de pico.
4) A Necessidade da Análise de Energia e Demanda
Antes da execução de qualquer infraestrutura, é indispensável a realização de uma Análise de Energia detalhada.
Na G2 Energia, utilizamos analisadores de grandezas elétricas para monitorar o comportamento real do consumo do condomínio, avaliando demanda contratada e medida, fator de carga, picos de consumo e perfil horário. Essa etapa é fundamental para responder questões estratégicas como:
Qual é a demanda efetivamente disponível?
Quanto de capacidade o transformador e a entrada de energia ainda possuem sem comprometer a segurança da instalação?
A infraestrutura atual opera com margem técnica adequada ou próxima do seu limite?
Qual será o impacto do crescimento da mobilidade elétrica no empreendimento?
O que ocorrerá quando um número significativo de moradores adquirir veículo elétrico?
Sem essa análise técnica, qualquer decisão é baseada em estimativas. Com dados reais e medições adequadas, é possível projetar uma infraestrutura segura, escalável e economicamente eficiente, garantindo a sustentabilidade da instalação no médio e longo prazo.
A mobilidade elétrica começa com planejamento e análise técnica, não apenas com a instalação do ponto de recarga.
A Solução Inteligente: Smart Charging
Em muitos casos, a análise demonstra que não há potência suficiente para que todos carreguem seus veículos ao mesmo tempo de forma convencional. É nesse momento que entra a tecnologia de Smart Charging (Recarga Inteligente).
Em vez de gastar grandes valores com o aumento de carga junto à concessionária, adotamos um sistema que realiza a gestão dinâmica da energia. Ele monitora o consumo do prédio em tempo real e distribui a energia disponível entre os veículos.
Se o elevador entra em funcionamento ou as luzes são acionadas, o sistema reduz ou interrompe momentaneamente a recarga dos veículos para evitar sobrecargas, garantindo a segurança da instalação e que o condomínio não sofra quedas de energia.
Cada caso é um caso: a solução deve ser personalizada
Não existe “receita de bolo” para mobilidade elétrica. Um condomínio construído há 30 anos tem desafios diferentes de um recém-entregue. Em alguns locais, a solução será a instalação de um sistema de gestão de carga (Smart Charging), que distribui a energia disponível entre os carros sem derrubar o disjuntor geral do prédio.
Em outros, será necessária uma reforma no centro de medição. O importante é entender que a solução deve ser personalizada para a realidade da sua infraestrutura.
Quer eletrificar seu condomínio com segurança e eficiência?
Na G2 Energia, desenvolvemos projetos completos de infraestrutura para recarga elétrica, desde a análise de viabilidade até a execução final.
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