A proteção contra descargas atmosféricas é um dos pilares da segurança elétrica em edificações. No entanto, é recorrente a constatação, em inspeções técnicas, de que a simples existência de um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) não garante sua eficácia.
Conforme estabelecido pela ABNT NBR 5419, o SPDA deve ser concebido como um sistema integrado, envolvendo captação, descida, aterramento e medidas de proteção contra surtos (MPS). A falha em qualquer um desses subsistemas compromete o desempenho global da proteção.
Em termos práticos, um SPDA com não conformidades relevantes deve ser tecnicamente interpretado como um sistema ineficaz.
A seguir, apresentam-se as principais não conformidades identificadas em campo, com seus respectivos impactos:
1. Ausência de análise de risco
A não realização da análise de risco, conforme a Parte 2 da norma, impede a correta definição do nível de proteção, resultando em sistemas subdimensionados ou incompatíveis com a criticidade da edificação.
2. Sistema de captação insuficiente ou mal projetado
A disposição inadequada de captores, a ausência de cobertura total ou a aplicação incorreta dos métodos (gaiola de Faraday, ângulo de proteção ou esfera rolante) comprometem a interceptação eficaz das descargas.
3. Descontinuidades nos condutores de descida
Emendas inadequadas, interrupções ou trajetos não conformes elevam a impedância do sistema, prejudicando o escoamento seguro da corrente do raio.
4. Conexões elétricas deficientes
Conexões oxidadas, frouxas ou executadas sem solda exotérmica representam pontos críticos de falha, podendo gerar aquecimento, centelhamento e perda de continuidade elétrica.
5. Sistema de aterramento ineficiente
Valores elevados de resistência de aterramento comprometem a dissipação da corrente elétrica no solo, aumentando os riscos de tensões de passo e de toque.
6. Ausência de equipotencialização
A falta de interligação entre massas metálicas, estruturas e sistemas elétricos cria diferenças de potencial perigosas, potencializando riscos de choque elétrico e danos a equipamentos.
7. Inexistência ou inadequação de DPS
A ausência de dispositivos de proteção contra surtos expõe instalações e equipamentos a sobretensões transitórias, frequentemente responsáveis por falhas eletrônicas e perdas operacionais.
8. Falta de interligação com estruturas metálicas
Elementos metálicos da edificação não integrados ao SPDA podem atuar como pontos de centelhamento, comprometendo a segurança do sistema.
9. Ausência de inspeção e manutenção periódica
A inexistência de um plano formal de inspeção e de registros técnicos inviabiliza a rastreabilidade e a confiabilidade do sistema ao longo do tempo.
10. Inconsistência entre projeto e execução
Alterações não documentadas, execução divergente do projeto ou ausência de “as built” resultam em sistemas que não refletem os critérios técnicos originalmente definidos.
Impactos técnicos, operacionais e financeiros
As não conformidades em SPDA transcendem o aspecto normativo e impactam diretamente o negócio. Dentre os principais efeitos, destacam-se:
– Risco de incêndios e danos estruturais;
– Queima de equipamentos e sistemas críticos;
– Interrupção de processos produtivos;
– Exposição de pessoas a riscos elétricos;
– Não conformidade em auditorias, vistorias e AVCB;
– Perda de cobertura securitária ou negativa de indenizações.
Do ponto de vista técnico, é importante ressaltar:
um SPDA não conforme não oferece garantia de desempenho e, portanto, não pode ser considerado um sistema de proteção confiável.
A conformidade com a ABNT NBR 5419 deve ser tratada como um requisito estratégico, e não apenas regulatório. A integridade do SPDA está diretamente associada à continuidade operacional, à proteção de ativos e à segurança das pessoas.
Dessa forma, a realização de inspeções periódicas, ensaios e adequações técnicas é indispensável para garantir que o sistema esteja apto a desempenhar sua função em condições reais.
Se o seu sistema apresenta ao menos uma dessas não conformidades, ele já não atende plenamente aos requisitos normativos e sua operação pode estar exposta a riscos significativos.
A avaliação técnica especializada permite identificar falhas, priorizar correções e assegurar a conformidade do sistema.
Antecipe riscos. Garanta segurança. Proteja sua operação com a G2 Energia.

